sexta-feira, 30 de julho de 2010

AVC



Quando analisamos o quanto se evoluiu nos últimos vinte anos apercebemo-nos do gigantesco passo que se deu rumo ao futuro. Em nenhum outro período da história estivemos tão ligados e dispusemos de tão boas condições para fazer ciência, ultrapassar limites e atrevermo-nos a realizar o impossível. Não consigo imaginar o que será o futuro daqui a uma década. Nesta linha de raciocínio, sempre fui fascinado por medicina, no fundo por ser um hipocondríaco e por me sentir maravilhado pela mais complexa máquina jamais inventada, o corpo humano.

Fiquei absolutamente fascinado com esta apresentação da Doutora Jill Bolte Taylor sobre a sua experiência, vivida na primeira pessoa, quando se apercebeu do desenrolar de um AVC (Trombose cerebral, acidente vascular, derrame). Na verdade Jill teve a oportunidade que poucos cientistas possuem. Deter o conhecimento profundo sobre uma determinada área e poder experimentar na primeira pessoa as consequências de um episódio deste género, sobrevivendo para poder contar a história.

O interesse de Jill Taylor pelo estudo do cérebro humano despertou muito cedo, quando o seu irmão desenvolveu um estado de esquizofrenia. O facto da realidade gerada por esse estado patológico motivou-a a enveredar pelo estudo do cérebro e a perceber os mecanismos que estão na génese de algumas doenças. Quais a diferenças biológicas entre os cérebros de indivíduos normais versus aqueles que desenvolvem alguma patologia? De que forma se dão as mediaçoes químicas com causa efeito na nossa própria consciência? Entre muitas outras, estas eram algumas das respostas que procurava enquanto cientista.

Na sequência da sua carreira, em 1996, Jill teve um grave AVC e pôde experimentar e sentir na sua própria pessoa a alteração mental provocada por esta ocorrência. Desde a percepção de que algo estava errado, até a perda de funções básicas como caminhar, falar, ler ou escrever. Jill percebeu como se tornou, por algum tempo, uma criança dentro do corpo de uma mulher, perdendo todas as capacidades de se lembrar como tinha sido toda a sua vida.

O AVC deu-se na metade esquerda do seu cérebro, responsável por todo o comportamento lógico, racionalidade e análise dos detalhes de tudo o que nos rodeia. Quando essa metade deixa de funcionar, ficamos somente com o sensorial, com as emoções e a percepção dos estímulos que nos chegam de todos os lados... odor, som, luz, temperatura, mas sem a capacidade de processar toda essa informação de uma forma lógica e útil. À medida que a gravidade da hemorragia aumentava, a metade esquerda estava intermitente, tornando as tarefas mais simples -como por exemplo pedir ajuda - um verdadeiro desafio. Passaram-se 45 minutos até Jill conseguir chegar ao telefone e marcar um simples número, para depois concluir que quando tentou falar, tinha perdido todos os conhecimentos linguisticos que possuía - a metade esquerda do cérebro tinha-se desligado definitivamente.

Admiravelmente, apesar da gravidade desta esta experiência, Jill conseguiu lembrar-se de tudo o que sentiu e viveu, permitindo-lhe fazer um relato absolutamente fantástico do episódio.

O que mais me tocou, foi o facto dela relatar tudo na primeira pessoa com uma tremenda emoção, sendo notório que a sua capacidade analitica como cientista foi definitivamente marcada por algo tremendamente importante, mas que tantas vezes nos esquecemos... o humanismo e a nossa necessidade de sermos mais do que meros individuos. É uma historia tremendamente poderosa sobre como o nosso cérebro nos define e nos liga ao mundo e às pessoas que nos rodeiam.

O Vídeo está dividido em quatro grandes partes:

1) A motivação para o estudo do cérebro
2) Uma breve explicação das funções do lado esquerdo e direito do cérebro
3) A descrição de todo o episódio do AVC
4) O Acordar

Infelizmente toda a apresentação está em ingles. Vale mesmo apena investirem 20 minutos do vosso tempo na visualização desta magnífica história.





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